Depois de enfrentar mares tempestuosos, a Prologis está trocando seu timoneiro no Brasil.
Hermano Souza está deixando o cargo de country manager – posição equivalente à de CEO – após dois anos à frente da operação brasileira da gigante de galpões logísticos.
O posto será ocupado interinamente por Armando Fregoso, o presidente da Prologis para a América Latina.
Fregoso vai assumir a função depois de a empresa ter encarado uma série de problemas sob o comando anterior, como batalhas judiciais com vizinhos, paralisações de obras, enchentes, desapropriações de terrenos e até um incêndio que inviabilizou um megaprojeto em Guarulhos – em um momento em que o ecommerce tem cada vez mais demandado novos galpões.
A companhia disse em nota que Fregoso “assegurará a continuidade das operações, do atendimento aos clientes e da execução da estratégia da empresa no País,” e que a companhia “segue comprometida com seu plano de crescimento no Brasil e com a entrega de soluções logísticas de alta qualidade aos seus clientes e parceiros.”

O executivo que está de saída chegou à Prologis em 2019 como vice-presidente de market officer. Depois, comandou a área de operações antes de assumir a liderança da operação brasileira.
“Eu pude participar e contribuir com muitos projetos. Foi um período em que a empresa dobrou de tamanho no País. Agora, decidi sair e tirar um tempo para repensar minha carreira,” ele disse ao Metro Quadrado.
Já Fregoso acumula 15 anos de empresa e está retornando a uma função que já ocupou. Ele ingressou na Prologis em 2010, assumiu como country manager no Brasil em 2018 e, em 2024, foi promovido à presidência da operação latino-americana.
Entre os problemas que marcaram o inferno astral da Prologis nos últimos anos, o caso de maior repercussão foi a desapropriação, pelo Governo de São Paulo, de um terreno da companhia que passou a ser destinado à construção de um estacionamento de trens de uma futura linha do metrô.
A Prologis tentou, sem sucesso, encontrar alternativas – incluindo a oferta de outros terrenos para o projeto do metrô –, mas não conseguiu evitar o prejuízo, que enterrou um empreendimento logístico bilionário.
Outro episódio que ganhou destaque foi o embargo de uma obra em Cotia, depois que fortes chuvas carregaram lama do canteiro para dentro de um condomínio residencial. À época, a empresa disse que os prejuízos decorrentes da paralisação já superavam R$ 120 milhões.
Com essa sucessão de problemas, a saída de Souza já era cogitada por executivos do setor logístico.
Souza, porém, negou qualquer relação entre sua saída e os desafios enfrentados pela empresa.
“Aconteceu muita coisa em um curto espaço de tempo, mas isso é normal para qualquer empresa que está crescendo e se desenvolvendo. Minha decisão não foi por causa disso,” disse.
O executivo disse também que pretende passar um período fora do mercado para refletir sobre os próximos passos.




