Vila Galé compra antigo Sheraton do Recife e vai reabrir hotel em outubro

Vila Galé compra antigo Sheraton do Recife e vai reabrir hotel em outubro
André Ítalo Rocha |

A Vila Galé vai pôr fim ao longo período de inatividade do antigo Sheraton do Recife – um gigante de quase 300 quartos fechado há seis anos.

A rede portuguesa acertou a compra do ativo nos últimos dias e pretende reabri-lo em outubro já com a sua bandeira – em mais um movimento que mostra a confiança de marcas internacionais na retomada do mercado hoteleiro no Brasil.

O empreendimento de 30 mil m² de área construída pertencia ao Novo Banco, a instituição financeira de Portugal que, por alienação fiduciária, absorveu o ativo anos atrás em uma reestruturação da dívida do empresário Luís Filipe Vieira – o empreendedor português que construiu o hotel e também é conhecido por ser ex-presidente do Benfica.

O banco contratou a CBRE em julho do ano passado para procurar interessados, depois de algumas tentativas frustradas de resgatar o hotel, como as conversas para trazer a Meliá como nova operadora no lugar da Sheraton.

A CBRE trabalhou com três cenários: vender para quem quisesse manter o hotel; para quem desejasse demolir e construir algo novo; ou converter em residencial.

Nesse período, o ativo foi oferecido a cerca de 70 possíveis compradores – entre fundos, incorporadores e redes hoteleiras – e 10 deles fizeram propostas. 

O valor da transação não foi revelado, mas ficou abaixo do investimento de R$ 230 milhões feito pela Promovalor, a empresa de Vieira, para construir o hotel, fontes do mercado disseram ao Metro Quadrado.

O banco tinha uma certa necessidade de liquidez. Ajudou, então, o fato de o ativo ter sido adquirido por uma rede que não fará grandes transformações no espaço. Se o comprador quisesse demolir ou retrofitar, o valor teria sido ainda menor.

A Promovalor começou a desenvolver o hotel em 2010 e tinha planos de fazer a inauguração antes do início da Copa do Mundo de 2014, para aproveitar o boom de turistas, já que o Recife foi uma das cidades-sede.

A obra foi tocada pela Odebrecht mas acabou atrasando, e só foi entregue com a Copa já em andamento.

O hotel fica na Reserva do Paiva, uma faixa litorânea situada em um município vizinho ao Recife e que faz parte de um projeto de bairro planejado lançado em 2007 pela família Brennand.

O bairro, porém, ainda não decolou, e vários dos projetos residenciais – que devem dar vida à região – ainda estão em desenvolvimento.

Uma outra aposta da Promovalor era se beneficiar do plano dos Estados Unidos de levar para a Reserva do Paiva o consulado que está hoje no centro do Recife. 

Mas o projeto foi cancelado depois que Donald Trump venceu sua primeira eleição para presidente em 2016, com o governo americano atribuindo o recuo aos custos de construção.

Sem esses empurrões, o hotel rodava com uma taxa de ocupação de cerca de 30% antes da pandemia, e o início do isolamento levou a Sheraton sair da gestão do empreendimento, desde então desativado.

A explicação mais comum para o fracasso do hotel está no fato de o empreendimento não ser pé na areia: o imóvel foi construído poucos metros depois da estrada paralela à praia.

E para investidores de perfil financeiro, a inatividade do hotel pesava contra, já que eles em geral preferem comprar empreendimentos que já estão rodando bem.

A retomada do turismo brasileiro no pós-pandemia, no entanto, ajudou a atrair interessados, segundo Danilo Ferrari, o vice-presidente de capital markets e land services da CBRE no Brasil.

“Como a Vila Galé já atua no Brasil, eles estão acompanhando esse movimento,” Danilo disse ao Metro Quadrado. “É uma transação que reflete a confiança de investidores internacionais no potencial de longo prazo do mercado brasileiro.”

Na negociação, também foi importante garantir que o clube do empreendimento que dá acesso à praia faria parte da transação.

Com a operação do novo hotel, a Vila Galé passa a contar com dois empreendimentos em Pernambuco, somando cerca de 600 apartamentos e mais de 1,3 mil leitos.

Um dos objetivos da Vila Galé é aproveitar a vocação para eventos do hotel, que chegou a receber congressos quando estava operando.

O empreendimento tem 13 salas para convenções e eventos corporativos e sociais, incluindo um salão com capacidade para até 1,1 mil pessoas sentadas. O foyer, com 1,29 mil m², poderá receber até 1,4 mil convidados, segundo a rede portuguesa.

No Brasil, a rede hoteleira tem ao todo 13 hotéis em operação, e há ainda 1,2 mil leitos em desenvolvimento, incluindo o hotel da Reserva do Paiva.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir