Próxima parada: Estação JK. Em seguida: Tabapuã

Próxima parada: Estação JK. Em seguida: Tabapuã
Rafael Balago |

Parecia impossível, mas a Faria Lima deve se tornar um um endereço ainda mais disputado para escritórios, com a chegada das primeiras estações de metrô ao trecho da avenida que concentra o mercado financeiro.

As duas estações fazem parte de uma nova linha que será construída, a 20-Rosa: uma ficará perto do cruzamento com a JK, onde está o prédio da Baleia, e a outra na Rua Tabapuã, próxima do Pátio Malzoni, o edifício que abriga a sede do BTG.

Ainda vai demorar para a linha ficar pronta (a previsão otimista é 2034), mas o mercado já prevê uma nova valorização dos aluguéis dos escritórios.

O principal motivo é que a mobilidade ganhou força como um fator de escolha dos endereços pelas empresas, e uma das desvantagens desse trecho da avenida é a falta de metrô (hoje, só há uma estação em toda a avenida, a Faria Lima, da linha 4-Amarela, perto do Largo da Batata e mais distante dos bancos).

O projeto anterior previa que a linha 20-Rosa passasse também pela estação Faria Lima, mas o governo do Estado alterou o trajeto para a parada seguinte, na estação Fradique Coutinho, também da linha 4-Amarela, o que deve beneficiar os diversos prédios corporativos que estão subindo em Pinheiros.

“A demanda da linha será maior com uma estação na estação Fradique do que na estação Faria Lima,” Luiz Antônio Cortez Ferreira, o gerente de Planejamento do Metrô de São Paulo, disse ao Metro Quadrado. 

“O corporativo está com um desenvolvimento muito forte nos lotes entre a Rua dos Pinheiros e a Rebouças, o que fez o número de empregos ali crescer muito.”

No entorno das novas estações, a Newmark calcula que há 134 mil metros quadrados de escritórios em fase de projeto, incluindo os 57 mil m² da nova sede do Santander, onde ficava o Extra da JK.

Hoje, a área tem um estoque de 278 edifícios corporativos, somando 2,8 milhões de m². A vacância é de 8%, bem abaixo da média da cidade, de 14%.

A consultoria avalia que as obras da linha 20-Rosa poderão aumentar também a escassez de terrenos na região, pois será preciso realizar desapropriações para a construção.

“Quem já tiver um empreendimento em andamento dentro dessa janela de obras do metrô sai na frente,” disse Mariana Hanania, a head de pesquisa e inteligência de mercado da Newmark.

A chamada “nova Faria Lima” – como é conhecido pelo mercado o trecho da avenida que receberá as duas novas estações, e que tem esse nome por ser uma ampliação feita pelo Paulo Maluf nos anos 1990 – já é o pedaço mais caro da cidade, e nunca esteve tão descolado de outros eixos corporativos.

Segundo a Newmark, a média do aluguel do metro quadrado nessa região é de R$ 316,65, e há casos em que passam dos R$ 400.

O Metrô de São Paulo projeta a linha 20-Rosa desde o começo dos anos 2000. Após diversas modelagens e pesquisas, a estatal chegou ao traçado final, que não deve mais sofrer alterações.

O projeto tem sofrido oposição de entidades de moradores, que questionam a integração na estação Fradique Coutinho, em vez do Largo da Batata, e a passagem dos túneis por baixo dos Jardins. 

O Metrô diz que deu prioridade ao uso de terrenos ociosos ou com ocupação limitada durante as obras, para reduzir os impactos.

Rafael Birmann, um dos maiores proprietários de edifícios corporativos da Faria Lima, concorda que o novo metrô vai valorizar ainda mais a região, mas critica a escolha de uma obra subterrânea. Ele defende a adoção de um VLT, similar ao do centro do Rio.

“O VLT custa uma fração do metrô, leva menos tempo para construir e é imensamente superior em termos urbanísticos e de cidade. E poderia ser feito no mesmo espaço da ciclovia,” diz.

A linha 20-Rosa partirá de Santa Marina, perto da Lapa, e vai até Santo André, no ABC, passando por bairros como Vila Madalena, Sumaré, Moema e Saúde, o que aumentará a conexão da Faria Lima com o resto da cidade.

Raphael Guaraná, o CEO da imobiliária Jardins & Co, diz que o trecho final da nova Faria Lima, hoje o mais distante do metrô, será o mais beneficiado. 

“Essa parte ainda tem espaço para amadurecer em relação aos trechos mais consolidados, e o metrô pode acelerar esse processo,” disse Guaraná.

A expectativa do Metrô é concluir o projeto básico até abril de 2027, o que abre espaço para licitar a linha. Após o certame, a obra levaria ao menos seis anos. Em um cenário otimista, o novo ramal abriria as portas por volta de 2034.

O Metrô ressalta que não haverá estações nos Jardins, apenas um posto de ventilação na Alameda Gabriel Monteiro da Silva e um ponto de escavação na Rua Sampaio Vidal. Os túneis vão ficar a 40 metros de profundidade.

A estatal também planeja usar a estação Faria Lima para receber uma conexão com a futura linha 22-Marrom, que irá de Cotia ao Sumaré e terá demanda menor do que a 20-Rosa. Esse ramal ainda está na fase de anteprojeto.

Se todos os planos se concretizarem, a Faria Lima chegará aos anos 2040 com três linhas de metrô.

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