O crédito à construção voltou a subir no Brasil, mas só as grandes incorporadoras acessam os bancos – que têm se mostrado seletivos na concessão.
Segundo a CBIC, cerca de 80% das pequenas e médias empresas do setor nunca tiveram acesso a um capital profissional – e esta dor se tornou um nicho para startups do mercado imobiliário.
Com essa tese, a Makasí acaba de levantar R$ 31 milhões em uma Série A liderada pela VOX Capital e pela DGF. A captação também contou com a participação da Triaxis Capital e da Honey Island Capital (que já era investidora).
A startup de crédito para construção vai investir os recursos principalmente em tecnologia – e assim conseguir dar mais velocidade ao seu negócio, que começa na originação, passa pela análise de risco e vai até a gestão da carteira e o acompanhamento das obras por meio da sua plataforma.
A Makasí reconhece que os juros altos restringem as possibilidades para as incorporadoras, mas tem visto o mercado de capitais ocupar o espaço que os bancos estão deixando em razão da seletividade. A startup se vale de CRIs para captar os recursos que empresta.
“Gradativamente o mercado acabou adquirindo um apetite muito maior por esse tipo de operação nos últimos anos,” o cofundador Caio Bonatto disse ao Metro Quadrado.

Esta é a segunda captação da Makasí desde sua fundação em 2023. Na primeira, a startup levantou US$ 1 milhão numa captação que incluiu a Terracotta Ventures.
Desde então, a fintech já originou mais de R$ 500 milhões em crédito e chegou a 23 estados, com mais de 3 mil unidades residenciais em desenvolvimento. A expectativa é ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão até o fim deste ano.
Hoje o tíquete médio dos financiamentos da Makasí para incorporadoras está na casa dos R$ 8 milhões, mas a faixa atendida começou a aumentar.
Antes, os maiores valores batiam em R$ 15 milhões a R$ 20 milhões, e agora a startup já tem feito operações de até R$ 50 milhões, chegando também a incorporadoras maiores.
Além de investir em tecnologia, a Makasí pretende usar parte dos recursos da rodada para acelerar uma linha voltada ao Minha Casa Minha Vida, um produto testado no último ano e voltado à exposição inicial de caixa dos projetos, como a quitação do terreno, o lançamento e o início das obras.
“Não vamos substituir as linhas do governo, mas sim ter uma linha complementar para que as empresas possam acelerar os seus projetos e aproveitar o momento positivo do MCMV, um segmento super resiliente,” disse Bonatto.
Além disso, a Makasí quer ampliar o financiamento para a construção de casas por pessoas físicas, onde o tíquete médio está em R$ 1 milhão.




