A guerra está inflacionando a construção civil – um duro ‘déjà vu’ para o setor

A disparada recente da inflação da construção provocada pelo conflito no Irã já começa a lembrar o choque vivido pelo setor na pandemia.
No Índice Nacional do Custo de Construção (INCC-M), a categoria materiais e equipamentos acelerou de uma alta de 0,28% em março para 1,4% em abril — o maior avanço mensal desde junho de 2022.
“É quase tão impactante quanto a alta que tivemos durante a pandemia, que foi muito difícil para a administração de contratos. Estamos realmente com bastante atenção e preocupação nesse movimento,” disse Renato Correia, o presidente da CBIC, durante uma apresentação de indicadores.
O índice de preço médio dos insumos da construção também acelerou no primeiro tri. O indicador da CBIC fechou março em 68,4 pontos, o maior patamar desde o segundo trimestre de 2022, e também acima dos 61,6 pontos registrados no último tri de 2025.
A alta começou a ganhar força após o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, com impacto sobre petróleo, combustíveis, frete e outros insumos industriais.
“Esse incremento de custo não era esperado para o início do ano,” disse a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos.
A pressão sobre os custos aparece em um momento em que o setor já está tendo que lidar há anos com uma taxa de juros elevada.
A própria entidade, porém, afirmou que a alta dos materiais deve rapidamente ganhar protagonismo na lista de maiores preocupações.
“Pode aguardar que a partir de abril o custo do material vai entrar nos top 3 aí,” disse Renato.
A alta dos materiais já levou a CBIC a revisar para baixo sua expectativa de crescimento para a construção civil em 2026, de 2% para 1,2%.
“O mercado imobiliário mais dinâmico e o avanço das obras de infraestrutura fortalecem a expectativa de crescimento da construção esse ano. Por outro lado, nós temos um cenário caracterizado por maior pressão dos custos que não estava previsto,” disse Ieda.







