No Campo de Marte, um alívio para as incorporadoras

No Campo de Marte, um alívio para as incorporadoras
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O problema que estava no ar se dissipou.

Depois de quase dois meses, a incerteza sobre o impacto das novas operações do aeroporto do Campo de Marte para o mercado imobiliário está chegando ao fim.

O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) publicou ontem o Plano de Zona de Proteção do Plano Diretor (PDIR) para o Campo de Marte, que deve dar mais clareza sobre o que poderá ou não ser construído no entorno.

Até então, o mercado imobiliário só tinha a informação de que as restrições envolveriam um raio de 20 quilômetros – o que gerou uma apreensão entre incorporadoras, já que o raio inclui boa parte da cidade de São Paulo e de outros municípios.

Vários projetos de novos empreendimentos estavam emperrados em razão da incerteza, pois as empresas não sabiam qual seria o gabarito e o potencial construtivo de cada trecho do raio.

Agora, as empresas terão mais condições de calcular os impactos e destravar negócios na cidade.

Para a PAX Aeroportos, a empresa responsável pelo Campo de Marte, a nova publicação ajuda a garantir segurança tanto para o espaço aéreo quanto para o desenvolvimento urbano da região.

“Passa-se a ter conhecimento dos gabaritos e, assim, é possível realizar estudos de risco aeronáutico para avaliar eventuais exceções,” o CEO Rogério Prado disse ao Metro Quadrado.

A PAX pertence à XP Asset e é a responsável pelo Campo de Marte desde 2022, depois de a gestora ter sido a única a participar do leilão da concessão.

Com a homologação das operações da PAX pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a autorização do DECEA, todos os projetos dentro desse raio de 20 km têm de ser analisados pelo órgão aeronáutico, caso a caso.

O objetivo é identificar possíveis interferências físicas no espaço aéreo, mas o CEO da PAX disse que a concessionária trabalha com as autoridades aeronáuticas para encontrar formas de facilitar a aprovação de projetos que não estejam em rotas de pouso e decolagem do Campo de Marte.

Ele disse ainda que a companhia está à disposição do setor imobiliário para ajudar no entendimento do Plano e discutir eventuais ações que garantam o desenvolvimento urbano ordenado, “permitindo que os empreendimentos convivam em harmonia com o desenvolvimento do setor aéreo.”

Segundo o documento do órgão aeronáutico, o PDA do Campo de Marte abrange áreas de 16 municípios da Grande São Paulo.

O novo plano foi elaborado porque o aeroporto passará a operar com um novo sistema de pousos e decolagens por instrumento – que permite pousos mais automatizados, com menor dependência de controle humano e menos suscetíveis às condições climáticas.

Antes da publicação de ontem do DECEA, o Secovi-SP chegou a calcular que as restrições num raio de 20 km poderiam afetar projetos que somam 35 mil unidades residenciais.

Ontem, em comunicado aos associados, o Secovi-SP disse que agora está aprimorando os estudos já elaborados para atualizá-los com as novas coordenadas oficiais e assim avaliar com precisão os impactos para o mercado imobiliário da região.

O Campo de Marte foi arrematado em 2022 pela XP Asset junto com o aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, ambos por um valor total de R$ 141 milhões e um contrato de 30 anos de concessão.

A PAX Aeroportos foi criada no ano seguinte pela XP para executar seus planos de reforma e expansão das duas concessões.

A tese da gestora era escalar as operações de jatos particulares, helicópteros e táxi aéreo e, no futuro, eventualmente receber os “carros voadores” hoje em desenvolvimento no País.

Pelo contrato de concessão, a operadora assumiu a obrigação de realizar melhorias nos ativos.

No caso do Campo de Marte, o contrato também previa a instalação do novo sistema de operação de voos.

Pelas regras das entidades aeronáuticas, a aprovação desse tipo de operação exige restrições maiores ao potencial construtivo no entorno do aeródromo – e foi aí que entrou o raio de até 20 km a partir do Campo de Marte.

Porém, alguns dos bairros que serão embarcados na nova regra do Campo de Marte já integram a área de análise do Aeroporto de Congonhas, que também opera por instrumento.

Segundo a Prefeitura de São Paulo, o impacto sobre o potencial construtivo decorrente do novo modelo operacional do Campo de Marte só poderá ser avaliado após a publicação das normas aeronáuticas que integrarão o Plano Diretor do Aeroporto (PDA).

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