A incorporadora que quer vender o Paraguai para brasileiros

A incorporadora que quer vender o Paraguai para brasileiros
|

Uma incorporadora paraguaia está tentando surfar a onda de brasileiros que vêm descobrindo o Paraguai como lugar para morar e investir. 

A Building Innovations está montando uma rede de corretores no Brasil para vender apartamentos em Assunção a investidores brasileiros, num momento em que o país vizinho vem atraindo desde estudantes de medicina até empresários, aposentados e trabalhadores remotos interessados em custo de vida menor, menos burocracia e impostos mais baixos. 

Nas redes sociais, o Paraguai já começou até a ganhar o apelido de “nova Suíça” da América do Sul. 

“Entendendo que o brasileiro também investe muito fora, mas está mais acostumado com mercados como Miami ou Punta del Este, e não olhando para o Paraguai,” o CEO Nicolas Paredes disse ao Metro Quadrado.

IMG 8473A Building já tinha aberto uma frente comercial semelhante na Argentina e agora também prepara a expansão da operação para a Espanha. 

A empresa estruturou sua operação comercial brasileira em São Paulo, escolhida pelo volume do mercado e pela concentração de investidores, e também em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, estados que já mantêm uma relação próxima com o Paraguai por conta do agronegócio e fluxo na fronteira. 

Nos três primeiros meses de 2026, o Paraguai recebeu mais de 18 mil pedidos de residência de estrangeiros, alta de 85% na comparação anual. Mais da metade (9,2 mil) vieram de brasileiros, segundo a Direção Nacional de Migrações do país.

No ano passado, mais de 23 mil brasileiros foram autorizados a morar no país vizinho. 

A Building Innovations está concentrando seus projetos em bairros como Recoleta, Herrera e Fernando de la Mora, que vêm puxando o crescimento imobiliário recente de Assunção. 

A incorporadora quer vender apartamentos compactos e médios próximos aos centros corporativos de Assunção, apostando na demanda por moradia nas regiões que concentram escritórios, bancos e novos empreendimentos comerciais. 

Recoleta, por exemplo, virou um dos principais polos corporativos da cidade. Segundo Nicolas, a região reúne cerca de 12 sedes de bancos e cinco novos edifícios corporativos, o que vem puxando a procura por apartamentos próximos aos escritórios. 

Herrera tem perfil mais residencial, enquanto Fernando de la Mora concentra uma demanda ligada a universidades, hospitais e indústria farmacêutica. 

“Assunção, como São Paulo, é caótica no trânsito. Se deslocar cinco ou 10 km pode levar uma hora ou mais, por isso é melhor estar o mais perto possível do trabalho,” disse Nicolas.

A Building foi criada em 2021 e hoje tem 12 empreendimentos no portfólio, entre projetos entregues, em construção e em lançamento. 

A empresa prevê outros quatro lançamentos em 2026, incluindo um projeto ligado ao programa habitacional Che Róga Porã, tratado localmente como uma versão do Minha Casa Minha Vida. 

Os imóveis que a empresa começou a ofertar no Brasil têm entre 30 m² e 75 m², com valores entre US$ 34 mil e US$ 130 mil – cerca de R$ 183 mil a R$ 711 mil. 

A empresa estima retorno anual entre 7,5% e 8,5% com locação. Hoje, as unidades vendidas pela incorporadora são alugadas entre US$ 350 e US$ 650 por mês. 

De acordo com o CEO, muitos brasileiros entram ainda na pré-venda, buscando valorização ao longo da obra e renda futura com aluguel. O comportamento é diferente do paraguaio, que normalmente compra apartamentos prontos usando financiamento bancário. 

“Temos clientes brasileiros que compraram cinco ou seis apartamentos, enquanto outros compraram uma ou duas unidades para testar o mercado,” disse ele.

A aposta da Building se apoia numa combinação de impostos baixos, déficit habitacional e no crescimento recente de Assunção.

O Paraguai opera hoje com o chamado sistema 10-10-10, com 10% de imposto de renda para pessoa física, 10% para empresas e 10% de IVA.

O país tem demanda para cerca de 50 mil moradias por ano e consegue entregar algo próximo de 20 mil unidades anuais. 

“Além disso, Assunção não tem uma capacidade hoteleira muito grande e esse déficit de hospedagem acaba sendo suprido pelos estúdios,” disse o CEO.

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir