Lançamentos caem no primeiro tri – e a culpa não é da classe média

Os lançamentos imobiliários residenciais no Brasil fecharam o primeiro trimestre em queda de 5%, somando 97,8 mil unidades, segundo dados apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e pelo Secovi-SP.
O vilão dessa vez não foram as vendas ainda fracas na classe média ou a desaceleração do alto padrão, mas sim as mudanças nas regras do Minha Casa Minha Vida – que levaram parte das incorporadoras a segurarem projetos para se beneficiar de condições mais favoráveis.
Considerando apenas os números do MCMV, a queda no número de lançamentos é de 10%, com 48,6 mil unidades.
As novidades do programa, que incluíram ajustes em todas as faixas de renda, foram anunciadas ainda em março, mas só entraram em vigor no final de abril.
Segundo o Secovi-SP, foi esse cronograma que atrasou os novos projetos.
“Houve um represamento de lançamentos para aproveitar a implementação dos novos valores de teto de imóveis e de renda,” disse o economista-chefe do sindicato, Celso Petrucci.
Petrucci afirmou que os lançamentos também podem ter sido afetados por outros fatores que estão no radar para 2026, como as eleições presidenciais e a Copa do Mundo.
Mas o economista-chefe do Secovi não espera que esse cenário atrapalhe o restante do ano. “No segundo trimestre provavelmente já teremos mais lançamentos do que no primeiro tri.”
A queda no número de lançamentos foi ainda maior se comparada ao trimestre imediatamente anterior, de 32%.
O Secovi-SP diz que essa variação é normal, pois o final do ano costuma concentrar a maior parte dos lançamentos imobiliários – a proporção é de 40%-60% entre o primeiro e o segundo semestre.
“Por conta das férias, carnaval e do início do ano, o primeiro tri é onde temos menos lançamentos. Então a queda não nos preocupa porque sempre acontece,” disse Petrucci.
Por outro lado, o Secovi-SP espera um arrefecimento dos lançamentos na classe média e na média-alta no restante do ano, graças às condições macro ainda desafiadoras.
“A velocidade de vendas na classe média não é a mesma do MCMV e essa é a faixa mais penalizada pela taxa de juros, então quem conseguir vai adiar um pouquinho,” disse Ely Wertheim, o presidente-executivo do Secovi.
Apesar de o cenário desfavorável atrapalhar os lançamentos, Wertheim diz que a oferta, que cresceu 8,2% em relação ao ano anterior, se mantém em um nível saudável. O estoque é de pouco menos de 10 meses de vendas.
“Sempre nos perguntam qual é o número ideal e entendemos que vai de 20 até 24 meses, porque esse é o tempo de uma obra. Então, apesar de ter subido, o estoque está baixo.”
Um dos fatores que contribui para manter o estoque sob controle é a manutenção do patamar das vendas, que registraram uma leve alta de 4,1% ante o primeiro tri de 2025, ainda segundo dados da CBIC.
O resultado foi puxado pelo desempenho dos mercados do Norte e Centro-Oeste, que tiveram crescimento de cerca de 11% cada.
As vendas cresceram ainda mais no MCMV, onde a alta foi de 10%. A oferta de unidades para o programa é de 129,7 mil unidades e o estoque corresponde a pouco menos de 8 meses de vendas.







