O mercado agora é para profissionais, diz co-CEO da Cyrela

O mercado agora é para profissionais, diz co-CEO da Cyrela
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Raphael Horn, co-CEO da Cyrela, considera que o mercado de alto padrão em São Paulo está separando os amadores dos profissionais.

Ele admite que o cenário piorou, mas ainda está “bem ok” para quem não está começando agora.

“Estamos em um nível para jogador profissional. É challenger, não é amador,” ele disse numa call com analistas.

Para o executivo, já ficou no passado o ritmo de vendas observado até 2024, quando havia mais resiliência dos consumidores aos juros altos e “os amadores podiam jogar.”

“A gente estava na Suíça. Agora, para quem estiver pensando em montar incorporadora de médio e alto padrão, eu diria que é um momento difícil para começar,” ele disse. “Mas para quem é profissional, dá para ganhar um bom dinheiro.”

Ainda assim, o balanço da Cyrela foi considerado “fraco” por analistas do BTG Pactual e do Itaú BBA.

No primeiro tri, o lucro líquido da Cyrela caiu 9% na comparação anual, para R$ 269 milhões, e as receitas mostraram desaceleração, somando R$ 2 bi, uma alta de 4% ante o primeiro tri do ano passado e uma queda de 37% em relação ao quarto tri.

Além disso, a velocidade de vendas em 12 meses caiu de 52,6% para 45,8% na comparação anual, e o estoque ficou 22% maior, atingindo R$ 11,3 bilhões no fim de março.

Um dos reflexos da piora do mercado é que o ciclo das obras da marca Cyrela passou de 36 meses para perto de 48 meses entre o lançamento e entrega. 

O cenário mais desafiador também levou a incorporadora a adotar uma postura mais conservadora para expansão dos lançamentos em 2026.

Depois de lançar R$ 12,9 bilhões em 2025, a expectativa da companhia é encerrar este ano em um patamar ligeiramente menor.

A cautela fez a incorporadora elevar a exigência de margem de segurança antes de aprovar novas áreas e dizer mais ‘não’ para terrenos do que nos anos anteriores.

Mesmo em um mercado mais duro, Horn ainda não está vendo uma guerra de descontos nos estoques.

Ele disse que a companhia fez ajustes pontuais em alguns produtos prontos que estavam “fora de preço”, mas o cenário atual ainda não exige reduções generalizadas nos valores dos imóveis.

A inflação da construção também dominou boa parte das perguntas dos analistas.

Para o CFO Miguel Mickelberg, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) mais alto pode até ser positivo para a operação de média e alta renda da Cyrela no curto prazo. 

Mickelberg disse que a companhia encerrou o primeiro trimestre com R$ 10,8 bilhões em recebíveis corrigidos pelo índice, ante R$ 8,2 bilhões em custos de obra ainda a executar – uma diferença que, segundo ele, ajuda a proteger as margens da operação.

“Nos últimos 10, 15 anos, o nosso ano de maior margem bruta foi 2021, justamente porque a gente teve um INCC bastante elevado naquele ano,” disse ele. 

As ações da Cyrela caíam 1,1% por volta das 16h30, a R$ 21,63. No início do dia, o papel chegou a cair mais de 6%.

A companhia vale R$ 7,9 bi na Bolsa.

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