O prefeito que verticalizou Balneário agora quer impulsionar Camboriú

O prefeito que verticalizou Balneário agora quer impulsionar Camboriú
André Ítalo Rocha |

CAMBORIÚ – Leonel Pavan está pouco interessado se o presidente do País é de esquerda ou de direita.

Aos 72 anos, o prefeito desta cidade já passou por partidos de todos os espectros, e tem se valido de seu estilo camaleônico para impulsionar Camboriú, que comanda desde o ano passado e onde tenta repetir o que fez no tempo em que governou Balneário Camboriú (sim, são municípios diferentes e vizinhos), quando aprovou medidas que deram início à verticalização da Dubai brasileira.

Agora no centrista PSD, Pavan tem buscado o apoio tanto da gestão do PL no governo de Santa Catarina quanto da gestão petista no governo federal para compensar a baixa capacidade de investimento de Camboriú, um município que parou no tempo enquanto BC crescia.

O plano dele é ambicioso: quer tornar a cidade um polo industrial, de exportação e de turismo – um combo que tende a aumentar a demanda por moradia e impulsionar a arrecadação, que só chega a um terço da de BC, de quase R$ 2 bilhões.

Já conseguiu, por exemplo, fechar um convênio com o governo estadual para duplicar uma rodovia e a liberação de R$ 100 milhões do governo federal para o projeto de um parque inundável, que servirá para evitar enchentes e também terá vocação turística.

“As pessoas me perguntam como eu vou fazer tudo isso sem ter dinheiro. É porque eu tenho coragem de falar com todos,” ele disse ao Metro Quadrado, numa entrevista que concedeu em seu gabinete, vestindo o boné que tem o slogan da campanha que o elegeu: “Camboriú tem pressa.”

Pavan é gaúcho de Sarandi e foi parar em Santa Catarina graças ao empreendedorismo do pai, que abria churrascarias por onde passava.

Chegou a ser senador, vice-governador e governador do estado, mas tudo começou em BC, onde exerceu três mandatos como prefeito, o primeiro deles entre 1989 e 1992, quando ainda era do PDT de Brizola, de quem não esconde sua admiração, com fotos do histórico político em seu gabinete. “Sou brizolista até hoje,” ele disse enquanto reabastecia o chimarrão.

Da janela da sua sala, é possível também ver o fruto do seu trabalho em BC, o skyline de arranha-céus que deram fama à cidade vizinha, que foi parte de Camboriú até 1964, quando se emancipou, levando Camboriú a perder sua saída para o mar.

Se nessa época Camboriú era conhecida como a capital do mármore, hoje há uma placa na entrada do município que a reduz a “cidade-mãe de Balneário Camboriú”.

A relação materna que a placa exibe esconde a rixa que as duas cidades alimentaram nas últimas décadas em razão da discrepância econômica, em especial do lado de Camboriú, que acabou se tornando a prima pobre, para seguir aqui em termos familiares.

E deixar essa inimizade de lado está sendo também uma missão em família. 

Quando se candidatou a prefeito de Camboriú em 2024, depois de cinco anos sem cargos políticos, Pavan estava fazendo uma dobradinha de campanha com sua filha Juliana, que levou a Prefeitura de BC.

“Eu voltei para a política porque, para mim, é um desafio. Eu não preciso disso aqui, já sou um homem bem de vida, tenho a minha construtora,” disse.

Com a filha como aliada, Pavan têm tocado projetos que envolvem as duas cidades. O parque inundável, por exemplo, vai fornecer água para BC, e as estradas estão sendo ampliadas também para facilitar a vida de quem mora numa cidade e trabalha na outra.

Além disso, quer viabilizar um aeroporto privado em Camboriú para suprir a demanda do público de alta renda que tem uma segunda residência em BC.

No mercado imobiliário, pretende estimular empreendimentos de classe média que sirvam de moradia para as pessoas que trabalham para as grandes incorporadoras de BC mas não têm renda para pagar pelos imóveis de luxo da cidade vizinha.

O prefeito reconhece que em algum momento as cidades vão competir por moradores, mas ressaltou que BC tem uma extensão territorial muito menor, o que pode favorecer Camboriú sem prejudicar BC.

“Estamos fazendo um governo de integração,” disse Pavan, que tem postado alguns vídeos com a filha para celebrar entregas que afetam as duas cidades.

No paralelo, o prefeito tem o plano de atrair indústrias por meio de isenções fiscais e com a criação de uma ZPE que estimule as exportações.

E há ainda o desejo de aproveitar o Rio Camboriú, que é navegável, para criar projetos imobiliários com marinas, atraindo um público de alta renda e criando também um turismo náutico.

“Hoje só temos um hotel na cidade, e uma pousada, que é minha,” ele disse.

Enquanto isso, tem buscado aumentar a arrecadação do município com medidas de curto prazo, como corrigir a metragem de imóveis que foram subestimados e por isso estavam pagando um IPTU menor. Só nisso, foram encontrados 2 milhões de metros quadrados irregulares.

A projeção de Pavan é que, em 2026, a arrecadação de Camboriú some R$ 620 milhões, um aumento de 20%.

Se tudo ocorrer como ele imagina, vai terminar o mandato em 2028 com uma arrecadação de cerca de R$ 800 milhões.

Está tão confiante que até apostou um imóvel que tem com um sócio. “Se não bater R$ 800 milhões, eu perco o imóvel.”

Siga o Metro Quadrado no Instagram

Seguir