Nos EUA, hotéis se frustram com nível de reservas para a Copa

Os hotéis das cidades dos Estados Unidos que sediarão jogos da Copa do Mundo estão frustrados com a demanda registrada até o momento para a competição, que começa daqui duas semanas.
Segundo uma pesquisa feita pela American Hotel & Lodging Association (AHLA), 80% dos estabelecimentos consultados dizem que as reservas estão “abaixo das previsões iniciais” para o evento, que vai do dia 11 de junho até 19 de julho.
Os motivos listados pela associação vão desde o cancelamento de quartos até então reservados pela Fifa até restrições de viagens impostas pelo governo americano.
A AHLA representa mais de 30 mil propriedades nos EUA e fez o relatório baseado em 205 consultas a operadores e proprietários de hotéis nas cidades-sede.
O caso mais grave é o de Kansas City, uma das cidades que mais estava contando com a Copa para impulsionar a sua economia, por não ter o hábito de receber turistas e por ser considerada a capital do soccer no país.
Na cidade, entre 85% e 90% dos hotéis consultados relataram que há um ritmo de reservas abaixo das expectativas e inferior ao que normalmente recebem nos meses de junho ou julho.
Sedes como São Francisco, Seattle e Filadélfia também apresentaram taxas altas de respostas frustradas, com mais de 70%. Em Los Angeles, Nova York, Houston e Dallas, o nível supera 60%.
As cidades em melhor situação são Miami, onde pouco mais de 50% das respostas dizem que as reservas estão abaixo das expectativas, e Atlanta, com pouco menos de 50%.
É improvável, portanto, que se confirme a previsão de estudo feito em 2025 pela Fifa em parceria com a Organização Mundial do Comércio, que estimou que a Copa poderia atrair 6,5 milhões de turistas entre os três países que sediam a competição (EUA, Canadá e México), com ocupação recorde dos hotéis.
E parte da culpa é da própria Fifa.
A organização que rege o futebol exige que as sedes garantam um grande volume de quartos de hotel pré-reservados para acomodar suas equipes, diretores e imprensa, mas a entidade cancelou até 70% das reservas em algumas cidades.
A associação de hotéis disse que “o desempenho do setor hoteleiro nas cidades-sede foi inicialmente sustentado pelas reservas de quartos da Fifa, que criaram uma demanda artificial ao reservar grandes volumes de inventário com muita antecedência.”
À medida que a Fifa cancelou e liberou esse inventário anteriormente retido, a demanda artificial está sendo revertida, mas com pressões de curto prazo que afetam os preços, diminuindo a receita.
Os altos custos de viagens também foram apontados como um problema que está afastando os torcedores internacionais.
Segundo a associação, o dólar forte, os altos custos de passagens aéreas e os elevados preços da gasolina tornam os EUA um destino mais caro em comparação com sedes anteriores, além de decisões políticas que reduzem o entusiasmo.
“Em conjunto, esses fatores contribuem para uma sensação crescente de que visitar os EUA para a Copa do Mundo pode ser mais complicado e custoso,” disse Rosanna Maietta, a presidente da AHLA.
Ela considera, no entanto, que ainda há oportunidades, desde que algumas medidas sejam tomadas.
“Isso significa evitar aumentos desnecessários de custos em vistos e no transporte de e para os jogos e desencorajar governos locais de impor aumentos de impostos de última hora que prejudiquem os jogos e os consumidores.”







