Cyrela considera vender prédio locado pelo Nubank

O prédio que a Cyrela locou para o Nubank em Pinheiros poderá ser colocado à venda pela incorporadora.
O CFO Miguel Maia Mickelberg disse que não vê a empresa ficando com o edifício de 23 andares por um prazo longo porque um ativo desse porte deixa o balanço mais pesado.
“O rendimento do prédio corporativo, depois da maturidade, tende a ser menor que o ROE da empresa,” ele disse em uma call com jornalistas para comentar os resultados do quarto tri.
“Como os juros estão elevados, e isso se refletiria no preço, não há nenhuma pressa, mas não imagino que a gente vá carregar o prédio por um período muito longo.”
O Nubank locou 17 dos 23 andares para expandir os seus escritórios em São Paulo, enquanto a Cyrela vai usar os outros seis para a sua nova sede, hoje na Paulista. O prédio ainda está em obra e deve ficar pronto no segundo semestre.
Um candidato natural para a compra seria o próprio Nubank, mas o CFO disse que não poderia revelar se há ou não essa previsão no contrato de locação.
Uma possibilidade é que a Cyrela continue dona das seis lajes que vai ocupar, vendendo apenas as 17 lajes ocupadas pelo Nubank.
No ano passado, o CEO Efraim Horn, o filho do fundador Elie Horn, disse que o pai colocou no estatuto que a empresa estava proibida de vender as seis lajes por 50 anos, com o receio de vir uma boa proposta e ele ficar tentado a aceitar.
“A vida inteira a gente pagou aluguel. Agora que vamos ter um prédio nosso, ele quer garantir que não vamos vender,” Efraim disse à época.
No quarto tri, a Cyrela teve lucro líquido de R$ 682 milhões, alta de 37% ante o último tri do ano anterior, com um ROE anualizado de 22,3%.
Por outro lado, o VGV do estoque pronto cresceu 48% na mesma base de comparação, enquanto a velocidade de vendas (VSO) caiu de 55% para 45,2%.
Segundo o CFO, o principal fator por trás disso é o volume expressivo de lançamentos feitos no ano passado, que saltou 35% ante 2024, para R$ 12,9 bi.
Mas ponderou que a velocidade de vendas, apesar de menor, segue em um patamar saudável, considerando que o ritmo de 2025 foi “fora da curva.”
Diante disso, ele acredita que, para 2026, há “menos chance” de a empresa acelerar os lançamentos de forma relevante, no mesmo ritmo do ano passado.
“Mas não entendemos que exista hoje qualquer dificuldade com o estoque.”







