A Brightshore Capital, o novo nome da gestora americana GTIS Partners, está virando a chave no Brasil e vê um momento mais oportuno para aquisições depois de uma sequência de desinvestimentos.
A gestora de private equity mudou sua marca após a saída de um investidor minoritário, que teve sua fatia comprada pelos demais sócios. A mudança ocorre em um momento em que a firma enxerga uma janela favorável para ampliar seus negócios no País, embora ainda veja os juros altos com preocupação.
Neste momento, está sendo negociada a compra de dois galpões logísticos no Raio 30 de São Paulo. As transações podem ser anunciadas ainda neste ano.
Os deals fazem parte da estratégia de atuar na logística urbana, ao buscar ativos mais próximos da capital e dentro do perímetro do Rodoanel.

“Existe uma demanda enorme para esses espaços de última milha, mas são ativos raros, normalmente controlados por famílias ou empresas sem disposição para vender,” João Teixeira, o head e sócio da gestora no Brasil, disse ao Metro Quadrado.
“Como os juros estão muito altos, o investidor que quer comprar propriedades prontas demanda um cap rate muito alto. O momento é muito mais de oportunidades de aquisição do que de desinvestimento,” afirma.
Em sua trajetória no Brasil, a firma já captou quatro fundos de private equity e chegou a administrar US$ 2,7 bilhões em ativos. Hoje, esse número é de cerca de US$ 1 bilhão, e apenas o quarto fundo está em fase de aquisições.
A gestora vendeu diversos ativos nos últimos anos, incluindo um complexo corporativo na Av. Juscelino Kubitschek para o Santander e a Infinity Tower, na região da Faria Lima.
Já na frente de aquisições, houve uma aposta recente no retrofit de um antigo CD da Pernambucanas na Mooca.
Após um investimento total de R$ 120 milhões – R$ 70 milhões para a aquisição e R$ 50 milhões para a reforma –, o galpão, com 25 mil metros quadrados, foi locado para Mercado Livre e Shopee menos de seis meses após o fim das obras.
Além da logística, a gestora olha para os mercados de hotelaria, escritórios e residencial.

Em moradias, a Brightshore acredita que vai surgir uma janela de oportunidade para o médio padrão – hoje o patinho feio do mercado devido à pressão dos juros.
Para a sócia Maristella Diniz, head de RI, desenvolvimento e gestão de ativos, não há como prever se a abertura dessa janela se dará em 2027, pois depende da conjuntura econômica. Apesar disso, a gestora está em contato com incorporadores e planeja fazer uma aquisição quando o cenário estiver menos incerto.
“É um mercado em que acreditamos muito. Mas, para entrar, vai depender dos juros. Na hora em que eles baixarem e o consumidor começar a comprar, é um mercado quase infinito no Brasil,” diz Maristella.
Já no setor de hotelaria, a gestora investe em empreendimentos icônicos como o Palácio Tangará e vê grandes oportunidades na compra de imóveis prontos. Um exemplo foi o Grand Mercure Copacabana.
“O proprietário não tinha capacidade de renovar esse hotel. Nós compramos, investimos quase R$ 70 milhões e hoje ele performa espetacularmente bem,” afirma Teixeira.
Nessa tese, o foco está nas operações de midscale e upscale, onde há menos competição do que no segmento econômico – que demanda um volume de capital próprio menor e, por isso, atrai mais players.
A Brightshore hoje administra US$ 5,6 bilhões em ativos no mundo.
A maior parte desses imóveis está nos EUA, onde a gestora atua em áreas como multifamily, imóveis industriais e “zonas de oportunidade” – áreas com escassez de capital que podem ser beneficiadas por investimentos, como de reurbanização.
A Brightshore também está ampliando sua atuação em crédito imobiliário nos EUA, com uma nova plataforma lançada nesta terça-feira e um aporte inicial de US$ 250 milhões.




