O mercado azedou – e a SPX está comprando R$ 1 bi em imóveis

O mercado azedou – e a SPX está comprando R$ 1 bi em imóveis
Thaís Soares |

A SPX Capital está aproveitando o clima de velório no mercado para comprar participações em ativos imobiliários de quem está buscando liquidez.

Só nesse pós-eleição, a gestora de Rogério Xavier acertou a aquisição de participações em três shoppings e um edifício corporativo da HBR Realty, pelo valor total de R$ 938 milhões.

A transação acontece uma semana depois de a HBR assumir o controle da Helbor, incorporadora que pertence à mesma família da holding, os Borenstein.

A SPX já estava de olho em boa parte desses imóveis havia sete anos, mas nunca tinha conseguido chegar a um preço que considerasse adequado. 

A negociação finalmente avançou num momento em que os juros altos estão aumentando a disposição das empresas a vender para reduzir o endividamento.

“E eu acredito que essa será uma tônica importante de 2027, vai ter muita monetização de ativo,”  Pedro Daltro, sócio de real estate da SPX, disse ao Metro Quadrado.

A aquisição está sendo feita pelo SPX Portfólio Alfa, um novo fundo imobiliário da gestora que captou mais de R$ 1 bilhão de pessoas físicas e reúne cerca de 19,2 mil investidores.

O pacote inclui 90,91% do Lead Corporate, na Faria Lima, 50% do Patteo Olinda Shopping, em Pernambuco, 25% do Suzano Shopping e 20% do Mogi Shopping, os dois últimos na Grande São Paulo.

A gestora espera que novas oportunidades de compra surjam a partir da volatilidade no Brasil e no exterior, com os déficits fiscais elevados, a inflação e os conflitos internacionais como fatores que podem levar investidores a buscar proteção em ativos reais.

“Sou velho o suficiente pra ter visto que quando o mundo tinha medo de inflação comprava ouro e real estate. Acho que estamos vendo esse filme de novo,” disse Daltro.

O Lead Corporate é a aposta da SPX na recuperação dos aluguéis de escritórios da Faria Lima, onde a gestora enxerga uma combinação favorável entre a volta da demanda por espaços corporativos e a escassez de novos empreendimentos. 

“Vamos vivenciar cinco anos de pouca oferta. Todo mundo errou a conta do Covid e devolveu. Agora que querem voltar, puxam o preço para cima, e parece que há pouco espaço para cair e muito para subir,” disse ele. 

Nos shoppings, a gestora se sentiu atraída por uma mudança na estratégia das administradoras, que passaram a privilegiar a expansão dos empreendimentos existentes em vez da construção de novos centros comerciais.

A SPX quer aproveitar essa preferência para investir em imóveis que ainda tenham espaço para crescer, por meio de novas áreas de lojas, mudanças no mix comercial ou projetos que acrescentem outros usos aos terrenos, como torres residenciais.

Além disso, em vez de disputar consumidores em mercados com grande concentração de shoppings, a gestora vê oportunidades em cidades onde o empreendimento é o único da região, ou o mais relevante.

Dos R$ 938 milhões, R$ 562,6 milhões serão pagos à vista, enquanto os R$ 375,1 milhões restantes serão divididos em quatro parcelas anuais corrigidas pelo IPCA.

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