Quando um investidor deixa os FIIs em um momento de turbulência, costuma perder oportunidades e ainda pode prejudicar os próprios fundos no futuro, aponta a XP.
Ficar de fora dos pregões com as maiores altas, que geralmente ocorrem após as fases de queda, pode reduzir em até 70% o retorno dos cotistas, segundo um levantamento que considerou a performance do IFIX nos últimos dez anos.
Já para os próprios FIIs, o impacto da saída de investidores em momento de turbulência costuma estar limitado à cotação, mas também pode afetar as perspectivas de futuras ofertas em busca de capital.
“Uma maior pressão de venda geralmente leva o ativo a ficar abaixo do valor patrimonial, o que dificulta fazer uma emissão tradicional para crescimento do fundo e maior diversificação do portfólio,” Marx Gonçalves, o head de fundos listados do research da XP, disse ao Metro Quadrado.
Nesse cenário, uma alternativa para os gestores é realizar emissões ancoradas na troca de cotas por ativos, que podem ocorrer independentemente da cotação do fundo no mercado secundário.
Essa estratégia, porém, é criticada por parte da indústria por gerar o risco de criar uma pressão vendedora ainda maior sobre os FIIs no futuro.
De acordo com o levantamento da XP, o IFIX teve retorno de 134% nos últimos 10 anos. Quem ficou de fora dos pregões com as três maiores altas dessa janela reduziu em 20% seu retorno acumulado.
Já para quem perdeu as 30 maiores altas, o impacto chega a quase 70%, cortando o retorno acumulado para cerca de 42%.
“Esses pregões representam apenas de 0,12% a 1,21% do total analisado, o que mostra que esses momentos de recuperação são muito abruptos e difíceis de capturar para quem usa a estratégia de market timing.”
O impacto é maior nos fundos de tijolo que, por investirem em ativos reais, tendem a ser mais sensíveis às condições de cenário macro do que os fundos de crédito imobiliário.
Gonçalves afirma que boa parte das janelas com as maiores altas diárias do IFIX correspondem aos períodos de maior volatilidade no mercado, quando as cotas dos FIIs sofrem uma queda brusca seguida de uma recuperação acentuada.
“São justamente os períodos em que o investidor se vê imbuído a sair da classe por conta da incerteza,” disse o analista. “Mas, se os fundamentos são sólidos e os preços condizem com a expectativa de retorno, o ideal é manter a alocação.”
Para a XP, é muito difícil para o investidor comum diferenciar uma volatilidade conjuntural de uma deterioração estrutural que justifique a saída de um FII.
Por isso, a casa defende que os cotistas devem avaliar principalmente se os fundamentos dos ativos são sólidos antes de se desfazer de uma posição.
“Tem que olhar se as perspectivas para geração de caixa são positivas ou não daqui para a frente e se elas são condizentes com o atual preço de negociação.”




