Por que o CEO da Moura Dubeux está passando mais tempo nas obras

O custo mais elevado de construção está se tornando um ponto tão crítico para o setor que o CEO da Moura Dubeux tem se debruçado mais do que o normal sobre os canteiros.
“Fazer obras hoje dentro de um custo razoável, que mantenha o nível de rentabilidade, tem sido desafiador. Não é normal o CEO de uma empresa do tamanho da nossa ter tanto tempo dedicado à engenharia, como eu tenho há mais de um ano,” Diego Villar disse ao Metro Quadrado.
Villar tem reservado boa parte de seu tempo para visitas, discussões sobre modelos de gestão, acompanhamento de índices de qualidade e produtividade e negociações com fornecedores para manter os orçamentos na linha.

“Demanda não tem sido problema para nós. Minha preocupação constante é obra, execução e controle de custo, e não o desenvolvimento e a capacidade de originar negócio.”
Segundo ele, o maior desafio ainda tem sido driblar a escassez da mão de obra e não o choque inflacionário provocado pela guerra no Oriente Médio.
Esse cenário fez com que a empresa decidisse reduzir o número de empreendimentos desenvolvidos no modelo de condomínio, em que a gestão e a contratação de mão de obra qualificada são mais difíceis, e acelerar os projetos para o MCMV – considerados menos complexos de executar.
O plano da Moura Dubeux é lançar até R$ 1 bilhão por ano no segmento econômico e reduzir o condomínio, hoje no patamar de R$ 4 bilhões, para R$ 2,5 bilhões.
“Sempre que o País cresce por longos períodos, batemos num teto de disponibilidade de produtividade. Não basta só ter oferta de trabalho, tem que ter mão de obra capaz de crescer acima do que está sendo proposto por meio da produtividade.”
Apesar de tomar mais tempo, a dedicação extra aos canteiros tem levado a ganhos de eficiência e também ajuda a mitigar o aumento dos gastos com materiais, outro ponto de atenção para a construção civil hoje.
“Mesmo com a variação do petróleo, que impacta bastante coisa de instalação, temos conseguido estancar os custos porque somos eficientes no processo construtivo,” disse Villar.
O CEO afirmou em call com analistas que a variação do INCC por enquanto não é significativa para a incorporadora.
“Há oportunistas que querem trazer um aumento de custos, e toda vez tenho feito uma pergunta simples: abra a sua composição, o quanto pesa o combustível e, se o seu material é um derivado de petróleo, eu terei prazer de atender. Até agora, ninguém trouxe.”
O CEO diz que as exceções são produtos considerados commodities no mercado, como o cimento – um dos principais responsáveis pelo avanço de 1% do INCC-M em abril, junto com os tubos e conexões de PVC e massa de concreto.
A expectativa do setor é que as companhias comecem a repassar os preços mais altos aos consumidores neste mês.
O Sinduscon-SP diz que as construtoras com cronogramas mais folgados podem esperar mais para iniciar etapas de obras e, se os aumentos persistirem, as incorporadoras devem repensar os lançamentos para o restante do ano.
As mais impactadas devem ser as empresas que trabalham com o Minha Casa Minha Vida, pois as regras do programa limitam o potencial de repasse dos custos.
Já o segmento de média e alta renda costuma ser mais resiliente nessas condições, mas os juros altos também dificultam o incremento nos preços.







