Arthur Casas põe à venda casa projetada por Artigas no Pacaembu

Arthur Casas põe à venda casa projetada por Artigas no Pacaembu
Vanessa D'Amaro |

Uma casa de 1942 projetada por Vilanova Artigas no Pacaembu – e que já teve hóspedes ilustres como o poeta Pablo Neruda e o escritor Jorge Amado – está em busca de um novo dono.

Quem está vendendo o imóvel de 400 metros quadrados é o arquiteto Arthur Casas, que ali morou por 34 anos, até se mudar dois anos atrás para um apartamento em Pinheiros em um edifício projetado por ele próprio.

Um dos fundadores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, cuja sede é de sua autoria ao lado do arquiteto Carlos Cascaldi, João Batista Vilanova Artigas projetou a casa aos 28 anos (coincidentemente a mesma idade de Arthur quando a comprou) para o advogado Rivadávia de Mendonça, que na época fazia parte do Partido Comunista, assim como o arquiteto.

Rivadávia participou do Comício de 1945 no Estádio do Pacaembu, quando Luís Carlos Prestes discursou após sair da prisão, e foi para esse evento que ele hospedou Neruda e Amado, além de ter recebido outros nomes do partido para um “esquenta”.

Anos mais tarde, a casa foi vendida a outros proprietários, que realizaram algumas reformas. Quando Casas comprou a residência, ainda havia intervenções a fazer, incluindo alguns restauros, mas nada que tirasse a genialidade do projeto original. 

“Essa casa tem uma ventilação cruzada incrível. Os quartos têm um pé-direito mais alto e janelas que vão até o teto, dimensionadas justamente para receber o sol que vinha de trás. A construção vizinha já existia em 1942, e Artigas percebeu isso e quis captar essa luz apesar dela,” Casas disse ao Metro Quadrado.

Embora represente a fase inicial do arquiteto, o imóvel já apresentava alguns elementos que revelam sua assinatura: os telhados e suas águas, os beirais originais em eternit (depois substituídos por Arthur Casas), os pilotis e as vigas invertidas que criam lajes planas. 

“Não é a obra mais madura dele, mas já traz elementos muito diferentes para a época. Ele era muito inovador para sua idade,” disse Casas.

Como a residência não tinha lavabo, Casas criou um no lugar da chapelaria. Demoliu a edícula para montar uma piscina, ampliou a área de serviço e criou um novo quarto de empregada. Também aumentou o quarto do casal, com a criação de um banheiro e um closet, e fez uma cobertura na escada de acesso, que até então ficava ao ar livre.

O arquiteto comprou o imóvel depois de desistir da ideia de fazer a própria residência em um terreno no Morumbi – onde a topografia acentuada estava deixando o projeto caro – e seguir o conselho do galerista Eduardo Leme, seu amigo, que sugeriu a ele procurar algo no Pacaembu, bairro que já era reconhecido como um dos principais endereços da arquitetura moderna paulista.

Após visitar várias residências com um corretor (e detestar todas), Casas – que já era um jovem talento da arquitetura na época – reconheceu imediatamente a autoria do imóvel projetado por Artigas.

“Ela era muito parecida com uma casa do Artigas em declive, também no Pacaembu, que eu frequentava porque um amigo morava lá. Entendi imediatamente que era um projeto dele, ainda que o corretor não tivesse ideia de quem era Artigas,” ele disse.

Depois que se mudou do Pacaembu, Casas pensou em seguir com o imóvel para sediar o instituto de pesquisa que fundou no ano passado, o IACAI, mas a ideia foi descartada recentemente, e então ele decidiu vender a residência.

Para ele, o mais importante hoje é encontrar um comprador que entenda o valor da propriedade. “Só vou vender para alguém que não descaracterize o volume arquitetônico,” disse.

O valor pedido pelo imóvel é de R$ 6,5 milhões.

O crédito da imagens é de Miti Sameshima.

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