Cheques mais gordos estão chegando ao mercado corporativo do Centro do Rio que, depois de voltar a atrair grandes inquilinos, agora tem seus prédios na mira dos investidores.
A bola da vez é o Passeio Corporate, complexo de escritórios de quase 83 mil m² na região da Cinelândia que recebeu uma oferta de R$ 760 milhões para trocar de mãos.
O interessado, não revelado, quer comprar o empreendimento inteiro do fundo BROF11, da gestora BGR.
A proposta foi feita de forma não solicitada – e chega poucos dias depois de outro cheque aparecer por um prédio do Centro.
O Patria ofereceu R$ 79,4 milhões pelo Edifício Standard, antiga sede da Esso, que pertence à Arch Capital e acaba de ganhar a Rede D’Or como inquilina.
Entregue em 2016, o Passeio faz parte da última leva de grandes escritórios construídos no Centro e reúne três torres de até 17 andares, com lajes que passam de 2 mil m² e podem ser integradas para chegar a quase 5 mil m².
O empreendimento abriga a sede da Caixa Econômica Federal no Rio, além do Teatro Riachuelo, instalado no antigo Cine Palácio, preservado durante a construção do complexo.
O edifício terminou agosto com 90,2% dos espaços ocupados e está avaliado em R$ 1,18 bilhão, segundo o último relatório do fundo.
Os novos compradores dos prédios no Centro estão seguindo um caminho que os inquilinos começaram a fazer antes.
Depois de anos perdendo empresas para outras regiões do Rio, o Centro voltou a ganhar espaço na busca por escritórios ao oferecer áreas maiores por preços mais baixos do que na Zona Sul.
Foi assim que a região concentrou sete das dez maiores transações de escritórios da cidade no primeiro trimestre e registrou 12 mil m² de absorção líquida, segundo a JLL.
O Nubank e a Dataprev estão entre os nomes que ajudaram a ocupar grandes áreas nos últimos meses.
Os prédios que conseguem oferecer espaços generosos estão bem mais cheios que o restante do Centro.
A vacância é de 10% nos edifícios com lajes acima de 2 mil m², como as do Passeio, enquanto a média da região está em 26,5%, segundo a Newmark.
“Com um volume elevado de área disponível, as empresas têm mais poder de escolha e priorizam edifícios com lajes amplas e alta especificação técnica,” Mariana Hanania, a head de Pesquisa e Inteligência de Mercado da Newmark Brasil, disse ao Metro Quadrado.
Se aceitar a proposta e fechar a venda, o BROF11 ficará concentrado em um único imóvel. Além do Passeio, o fundo tem participação no E-Tower, edifício corporativo em São Paulo.
O possível comprador propôs pagar 70% dos R$ 760 milhões no fechamento do negócio e deixar o restante para três parcelas anuais, de 5%, 5% e 20% do preço, corrigidas pelo IPCA.
A BGR ainda está avaliando a proposta.




